Imagine poder ‘desligar’ o nervo responsável pela sua dor na coluna sem precisar de uma cirurgia aberta, sem cicatriz e sem internação hospitalar. Isso é exatamente o que a radiofrequência oferece para um grupo específico de pacientes com dor crônica. Trata-se de uma  técnica avançada e consolidada no arsenal do especialista em tratamento da dor — e os resultados podem ser transformadores.

A radiofrequência funciona através do calor gerado por ondas de radiofrequência, que é aplicado de forma controlada sobre os pequenos nervos que conduzem a dor das articulações da coluna até o cérebro. Ao ‘queimar’ esses nervos de maneira seletiva, interrompemos o sinal de dor por um período que pode variar de 6 meses a 2 anos. E o melhor: quando o nervo se regenera e a dor eventualmente retorna, o procedimento pode ser repetido com a mesma eficácia.

Quais condições são tratadas com radiofrequência?

A indicação mais clássica é a dor facetária — originada nas articulações posteriores da coluna cervical, torácica ou lombar. Mas a técnica também é utilizada para tratar dores sacrais e do sacroilíaco, cefaleias cervicogênicas refratárias, dor no nervo occipital (neuralgia occipital) e algumas síndromes de dor neuropática. Em todos esses casos, o pré-requisito para indicar a radiofrequência é que o bloqueio diagnóstico tenha confirmado aquela estrutura como a origem da dor — garantindo assim que o procedimento definitivo será eficaz.

Como é o procedimento na prática?

O paciente chega ao centro cirúrgico ou sala de procedimentos em regime ambulatorial. Após sedação leve (o paciente permanece consciente e comunicativo durante todo o processo), o médico posiciona as agulhas de radiofrequência sob guia de fluoroscopia, com precisão milimétrica. Um estímulo elétrico confirma a posição correta — o paciente pode sentir uma leve sensação de formigamento na área tratada. Todo o procedimento dura entre 45 minutos e 1 hora, e o paciente recebe alta no mesmo dia.

Quais são os resultados esperados?

A grande maioria dos pacientes bem selecionados — aqueles que responderam positivamente ao bloqueio diagnóstico — experimenta redução significativa da dor após a radiofrequência, frequentemente acima de 50 a 80% de melhora. Muitos conseguem reduzir ou até eliminar o uso de medicamentos analgésicos e retornar às atividades que haviam abandonado por causa da dor. A qualidade de vida melhora de forma mensurável, com impacto positivo no sono, no humor e na capacidade funcional.

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