Os tumores do sistema nervoso central são o segundo tipo de câncer mais frequente na infância, ficando atrás apenas das leucemias. É uma estatística que assusta — e que sublinha a importância de conhecer os sinais de alerta para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível. A boa notícia é que muitos tumores cerebrais pediátricos, quando diagnosticados e tratados adequadamente, têm prognóstico favorável — especialmente quando a cirurgia consegue uma ressecção completa ou quase completa.

Quais são os sintomas de alerta?

Os sintomas variam conforme a localização e o tipo do tumor, mas existem alguns sinais que devem sempre levar à investigação imediata. Em bebês e crianças pequenas: aumento do perímetro cefálico, fontanela abaulada, irritabilidade incomum, dificuldade para mamar e olhar ‘em pôr do sol’ (olhos desviados para baixo). Em crianças maiores: dor de cabeça persistente que piora de manhã ou acorda a criança à noite, vômitos frequentes sem causa aparente, dificuldade de equilíbrio ou coordenação, mudança de comportamento ou queda no rendimento escolar, fraqueza em um lado do corpo e convulsões de início recente.

É muito importante ressaltar que a dor de cabeça isolada é comum na infância e raramente indica tumor. O que chama atenção é a dor progressiva, que piora ao longo de dias ou semanas, associada a outros sintomas neurológicos.

Os tumores mais comuns na infância

Os tumores cerebrais pediátricos mais frequentes incluem o meduloblastoma (localizado no cerebelo, mais comum em meninos entre 5 e 10 anos), o ependimoma (também da fossa posterior), os gliomas de baixo grau (que podem afetar o cerebelo, o nervo óptico ou o tronco cerebral), e o craniofaringioma (região selar/hipotalâmica, que pode causar alterações hormonais e visuais). Cada tipo tem características biológicas e prognósticos distintos, o que torna fundamental o diagnóstico histopatológico preciso.

O papel da neurocirurgia pediátrica especializada

A cirurgia é a pedra fundamental do tratamento da maioria dos tumores cerebrais pediátricos. O objetivo é obter o máximo de ressecção tumoral possível — preservando ao máximo as funções neurológicas — enquanto se obtém tecido para diagnóstico. O neurocirurgião pediátrico especializado utiliza técnicas de neuronavegação (GPS cirúrgico), monitorização neurofisiológica intraoperatória e microcirurgia para operar com a maior segurança e precisão possíveis, minimizando riscos para funções vitais como linguagem, movimentação e visão.

Após a cirurgia, a maioria dos pacientes recebe tratamento complementar com radioterapia e/ou quimioterapia, conforme o tipo e o grau do tumor. O acompanhamento a longo prazo — neurológico, oncológico e neuropsicológico — é parte fundamental do cuidado, especialmente para monitorar o desenvolvimento cognitivo e escolar da criança.

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