Quando a cirurgia da coluna cervical está indicada, uma das decisões mais importantes é definir qual técnica utilizar para tratar o nível afetado: a artrodese — que funde as vértebras entre si, eliminando o movimento naquele segmento — ou a artroplastia — que substitui o disco doente por uma prótese que preserva o movimento. Cada abordagem tem vantagens específicas e indicações bem definidas, e a escolha deve ser individualizada para cada paciente.
Artrodese Cervical Anterior (ACDF): a técnica consagrada
A artrodese cervical anterior com discectomia e fusão (ACDF, do inglês Anterior Cervical Discectomy and Fusion) é a cirurgia de coluna cervical mais realizada no mundo e tem décadas de resultados consistentes na literatura médica. O cirurgião acessa a coluna pela frente do pescoço (acesso anterior), remove o disco herniado, descomprime a raiz nervosa ou a medula e preenche o espaço com um espaçador (cage) de PEEK ou titânio — que é então fixado com uma placa metálica. Ao longo de alguns meses, os dois corpos vertebrais se fundem, formando um bloco ósseo sólido.
A artrodese é especialmente indicada quando há instabilidade segmentar, degeneração severa do disco, deformidade angular ou mielopatia importante. Os resultados são muito bons e duradouros na grande maioria dos pacientes.
Artroplastia Cervical: preservando o movimento
A artroplastia cervical, ou implante de disco artificial (prótese de disco cervical), surgiu com o objetivo de preservar o movimento do segmento operado — o que a artrodese, por definição, elimina. O princípio é simples: após remover o disco doente e descomprimir os nervos, implanta-se uma prótese que reproduz o movimento fisiológico da articulação. As próteses modernas de titânio ou cobalto-cromo têm excelente biocompatibilidade e durabilidade.
A grande vantagem teórica da artroplastia é reduzir o risco de doença adjacente — a degeneração acelerada dos discos vizinhos ao nível fusionado, que é uma preocupação de longo prazo da artrodese. Estudos de acompanhamento com 10 anos ou mais mostram que a artroplastia realmente reduz a necessidade de reoperação nos níveis adjacentes, especialmente em pacientes jovens e ativos.
Como escolher entre as duas técnicas?
A artroplastia é preferida em pacientes jovens (idealmente abaixo de 55 anos), com degeneração focal em um ou dois níveis, sem instabilidade ou deformidade significativa, sem osteoporose importante e que desejam maximizar a preservação do movimento. A artrodese é mais indicada em pacientes com múltiplos níveis afetados, deformidade ou instabilidade, mielopatia grave ou quando há contraindicações ao implante de prótese. Em alguns casos, uma combinação das duas técnicas (artrodese em um nível, artroplastia em outro) pode ser a estratégia mais inteligente.