A palavra ‘cirurgia de coluna’ ainda assusta muita gente — e é compreensível que seja assim. A imagem mental que a maioria das pessoas tem é de um procedimento longo, com grande incisão nas costas, muito sangramento e uma recuperação prolongada e dolorosa. Mas a realidade da cirurgia de coluna em 2025 é completamente diferente para uma parcela significativa dos pacientes: a endoscopia de coluna tornou possível tratar hérnias de disco e outros problemas com incisões menores que 1 centímetro, sob anestesia local com sedação leve, e com alta hospitalar no mesmo dia ou no dia seguinte.
Como funciona a endoscopia de coluna?
O cirurgião introduz um tubo de trabalho de diâmetro muito pequeno (entre 7 e 9 milímetros) diretamente até a região do disco afetado, guiado por fluoroscopia. Por dentro desse tubo, passa um endoscópio com câmera de alta resolução e canal de trabalho — que permite a introdução de microfórceps, aspiradores e fontes de laser ou radiofrequência para remover o fragmento herniado. O cirurgião visualiza tudo em tempo real em um monitor de alta definição, com magnificação de imagem muito superior à cirurgia convencional.
Quais as vantagens em relação à cirurgia convencional?
As vantagens da endoscopia são expressivas e concretas: incisão mínima (menor que 1 cm), praticamente sem lesão muscular (a recuperação é muito mais rápida e menos dolorosa), perda de sangue mínima (raramente necessita de transfusão), procedimento sob anestesia local com sedação (possível em pacientes com alto risco anestésico), alta hospitalar no mesmo dia na maioria dos casos, e retorno às atividades normais em 2 a 4 semanas na média. Para pacientes com condições clínicas que aumentariam o risco de anestesia geral — diabetes, hipertensão, obesidade, cardiopatias — a opção de operar sob sedação é especialmente relevante.
Quem é candidato à endoscopia de coluna?
A endoscopia cervical e lombar está indicada principalmente para hérnias de disco com compressão radicular, estenose foraminal focal e recidiva de hérnia após cirurgia convencional. A avaliação cuidadosa da anatomia do paciente e das características da hérnia é fundamental para determinar se a abordagem endoscópica é tecnicamente viável e segura. Nem todos os casos são candidatos — hérnias calcificadas ou associadas a instabilidade podem requerer abordagem convencional ou minimamente invasiva com tubos de maior diâmetro.