Entre os ossos da coluna cervical — as sete vértebras do pescoço — existem discos intervertebrais que funcionam como almofadas, absorvendo impactos e permitindo os movimentos do pescoço. Quando o material gelatinoso do interior de um desses discos se desloca para fora de sua posição normal e comprime uma raiz nervosa ou a própria medula espinhal, temos o que chamamos de hérnia de disco cervical.

Diferente do que muitos imaginam, a hérnia cervical raramente se manifesta apenas com dor no pescoço. O sinal mais característico é a dor que ‘desce’ para o ombro, braço, antebraço ou mão — chamada radiculopatia cervical. Esse trajeto de dor corresponde exatamente ao percurso do nervo comprimido. Além da dor, o paciente pode sentir formigamento e dormência nos dedos, fraqueza para segurar objetos e, nos casos mais graves, dificuldade para caminhar (quando há compressão da medula — mielopatia cervical).

Diagnóstico: a ressonância magnética é fundamental

A ressonância magnética da coluna cervical é o exame padrão-ouro para avaliar a hérnia: mostra com precisão o nível afetado, o grau de compressão e o estado do disco e da medula. A eletroneuromiografia pode ser solicitada para avaliar funcionalmente a raiz nervosa afetada. Com esses exames em mãos, o especialista consegue correlacionar os sintomas do paciente com a imagem e determinar a conduta mais adequada.

Quando o tratamento conservador resolve?

A maioria dos pacientes com radiculopatia cervical melhora sem cirurgia. O tratamento conservador inclui repouso relativo, fisioterapia cervical, anti-inflamatórios e analgésicos, além de bloqueios epidurais cervicais para os casos com dor intensa. Um período de 6 a 12 semanas de tratamento conservador bem conduzido é a primeira linha para pacientes sem sinais neurológicos graves.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia está indicada quando: os sintomas não melhoram após tratamento conservador adequado; há déficit neurológico progressivo (fraqueza aumentando, perda de coordenação); há sinais de mielopatia (compressão da medula); ou quando a dor é incapacitante e afeta gravemente a qualidade de vida. Nessas situações, a cirurgia não é apenas uma opção — ela é necessária para evitar danos neurológicos permanentes.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *