A dor crônica severa é uma das condições médicas mais difíceis de tratar. Quando analgésicos, fisioterapia, bloqueios e até cirurgias convencionais não conseguem oferecer alívio suficiente, existe uma fronteira terapêutica que poucos conhecem: a neuromodulação. Trata-se de um conjunto de técnicas que utilizam impulsos elétricos para modificar a forma como o sistema nervoso processa e transmite os sinais de dor — essencialmente, reescrevendo a ‘linguagem’ da dor no seu cérebro.

Entre as formas de neuromodulação mais avançadas disponíveis hoje estão a Estimulação da Medula Espinhal (SCS, do inglês Spinal Cord Stimulation) e a Estimulação do Gânglio da Raiz Dorsal (DRG). Cada uma tem indicações específicas, mas ambas compartilham uma característica fundamental: são reversíveis e ajustáveis, o que significa que o tratamento pode ser modificado ou até retirado se necessário.

O que é a Estimulação da Medula Espinhal (SCS)?

O SCS consiste na implantação de pequenos eletrodos no espaço epidural — a região ao redor da medula espinhal — conectados a um gerador de impulsos elétricos implantado sob a pele, semelhante a um marcapasso cardíaco. Esses impulsos elétricos modulam os sinais de dor antes que eles cheguem ao cérebro, substituindo a sensação dolorosa por uma vibração suave ou simplesmente eliminando-a. 

As indicações incluem síndrome pós-laminectomia (dor que persiste após cirurgia de coluna), dor neuropática de membros inferiores ou superiores, CRPS (síndrome de dor regional complexa), dor isquêmica por doença arterial periférica e angina refratária.

O que é a Estimulação do Gânglio da Raiz Dorsal (DRG)?

O DRG é uma estrutura anatômica localizada na raiz nervosa, antes que ela entre na medula espinhal. É o ‘portão’ pelo qual os sinais de dor de uma região específica do corpo passam obrigatoriamente. A estimulação do DRG permite tratar dores muito focalizadas — como dor no pé, no joelho, na virilha ou em uma parte específica do abdome — com uma precisão que o SCS convencional não consegue alcançar. É especialmente útil para CRPS tipo I e II focais, dor após amputação (dor fantasma), dor pélvica crônica e neuralgia pós-herpética em distribuição específica.

Como é o processo de implante?

Uma das características mais importantes da neuromodulação é a existência de um período de teste antes do implante definitivo. Durante 7 a 14 dias, o paciente usa os eletrodos externamente e avalia na prática o quanto a estimulação alivia sua dor no dia a dia. Só após confirmar eficácia clínica de pelo menos 50% de redução da dor é que se realiza o implante definitivo. Esse protocolo garante que o investimento — tanto do paciente quanto do sistema de saúde — seja direcionado apenas a quem realmente se beneficia.

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